Evidências

Eu fui pesquisar antes de decidir.

Antes de colocar o caldo de ossos na minha rotina — e antes de criar o Nobre — quis entender o que a ciência realmente dizia sobre ele.

Encontrei estudos sobre o próprio caldo, pesquisas sobre seus nutrientes e trabalhos que ajudam a compreender suas possíveis relações com intestino, ossos e alimentação.

Nem todos estudam o caldo diretamente. E essa diferença importa.

Bloco 01

Estudos sobre o próprio caldo

Os dois únicos estudos desta seleção que investigaram diretamente o caldo de ossos.

01

Caldo diretamente — revisão

Matar, Abdelnaem & Camilleri (2025)

Digestive Diseases and Sciences

Revisão narrativa

Bone Broth Benefits: How Its Nutrients Fortify Gut Barrier in Health and Disease

O que investigaram

Esta revisão reuniu o que já foi publicado sobre os nutrientes presentes no caldo de ossos — principalmente aminoácidos e minerais — e sua possível relação com a integridade da barreira intestinal.

Principais achados

  • O caldo de ossos contém aminoácidos como glutamina, glicina e prolina, além de minerais como cálcio, fósforo, potássio, magnésio e zinco.
  • Esses nutrientes já foram estudados individualmente por seu possível papel na função da barreira intestinal.
  • Os autores discutem o caldo como uma possível fonte desses nutrientes, especialmente no contexto da saúde intestinal.
  • Os próprios autores destacam que ainda faltam estudos específicos testando o caldo de ossos pronto.

O que isso significa

Há uma base teórica interessante sobre os nutrientes presentes no caldo de ossos e sua relação com a barreira intestinal, mas esta revisão não demonstra que consumir caldo de ossos melhora a saúde intestinal em humanos.

Importante

É uma revisão de literatura e não um ensaio clínico testando o consumo de caldo de ossos.

Por que este artigo me interessou

Este foi um dos artigos que me fez entender melhor por que o caldo de ossos despertou tanto interesse quando comecei a pesquisar seus nutrientes e sua possível relação com a saúde intestinal.

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02

Caldo diretamente — estudo pré-clínico

Seki et al. (2024)

Journal of Food Science

Estudo experimental in vitro + estudo animal

Hyaluronan and Chondroitin Sulfate in Chicken-Vegetable Bone Broth Delay Osteoporosis Progression

O que investigaram

Os pesquisadores prepararam um caldo de ossos de frango com vegetais e estudaram alguns de seus componentes em células e em ratas com perda óssea experimental.

Principais achados

  • O caldo estudado continha ácido hialurônico e sulfato de condroitina.
  • Em células, esses componentes reduziram a diferenciação de osteoclastos, células envolvidas na reabsorção óssea.
  • Em ratas com osteoporose induzida experimentalmente, o caldo e uma fração rica nesses componentes aumentaram a densidade mineral óssea em comparação ao grupo controle.
  • Os resultados apontam para um possível mecanismo biológico relacionado à saúde óssea.

O que isso significa

É um resultado experimental interessante porque o próprio caldo foi estudado, mas os resultados foram obtidos em células e animais, não em seres humanos.

Importante

Este estudo não permite afirmar que o consumo de caldo de ossos previne ou trata osteoporose em pessoas.

Por que este artigo me interessou

Este estudo me chamou atenção por ser um dos poucos trabalhos que investigaram o caldo de ossos diretamente e encontraram um resultado interessante sobre seus componentes e a saúde óssea — ainda que em modelo animal.

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Ossos selecionados para o preparo do caldo

Bloco 02

Estudos sobre componentes do caldo

Alguns estudos não investigaram o caldo de ossos, mas ajudam a entender a ciência por trás de determinados nutrientes encontrados nele.

03

Nutriente — glicina

Razak et al. (2017)

Oxidative Medicine and Cellular Longevity

Revisão narrativa

Multifarious Beneficial Effect of Nonessential Amino Acid, Glycine: A Review

O que investigaram

Uma revisão sobre a glicina, um aminoácido presente no caldo de ossos, reunindo estudos sobre seu metabolismo e seus possíveis efeitos em diferentes contextos.

Principais achados

  • A glicina participa de diversas funções metabólicas no organismo.
  • Estudos experimentais descrevem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes da glicina.
  • Alguns estudos avaliaram a suplementação isolada de glicina em diferentes contextos.

O que isso significa

A glicina é um nutriente biologicamente relevante e bastante estudado, mas os resultados sobre glicina isolada não podem ser automaticamente atribuídos ao consumo de caldo de ossos.

Importante

Este artigo não estudou o caldo de ossos como alimento.

Por que este artigo me interessou

Esta revisão me ajudou a entender melhor a glicina, um dos aminoácidos presentes no caldo de ossos, e por que ela desperta tanto interesse científico.

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04

Nutrientes — estudo observacional

Jennings et al. (2016)

Journal of Bone and Mineral Research

Estudo observacional

Amino Acid Intakes Are Associated With Bone Mineral Density and Prevalence of Low Bone Mass in Women: Evidence From Discordant Monozygotic Twins

O que investigaram

Pesquisadores compararam gêmeas idênticas com diferentes ingestões alimentares para investigar se o consumo de determinados aminoácidos estava associado à densidade mineral óssea.

Principais achados

  • Maior ingestão de determinados aminoácidos foi associada a maior densidade mineral óssea.
  • A comparação entre gêmeas idênticas ajudou a reduzir a influência de fatores genéticos.
  • O estudo avaliou a ingestão geral de aminoácidos, e não o caldo de ossos.

O que isso significa

O estudo encontrou uma associação interessante entre aminoácidos da dieta e densidade óssea, mas não permite afirmar que consumir caldo de ossos aumente a densidade mineral óssea.

Importante

É um estudo observacional e não estudou o caldo de ossos.

Por que este artigo me interessou

Este estudo me interessou porque ajudou a entender melhor a relação entre determinados aminoácidos da alimentação e a saúde óssea, mesmo sem avaliar especificamente o caldo de ossos.

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Bloco 03

Mecanismos relacionados

Outros trabalhos ajudam a compreender mecanismos biológicos relacionados ao intestino, à microbiota e aos ossos. Eles não estudaram o caldo de ossos diretamente.

05

Mecanismo — intestino e ossos

Tu et al. (2021)

Revisão narrativa/mecanística

The Microbiota-Gut-Bone Axis and Bone Health

O que investigaram

Uma revisão sobre a comunicação entre a microbiota intestinal e o metabolismo ósseo, conhecida como eixo intestino-osso.

Principais achados

  • A microbiota intestinal produz substâncias que podem influenciar células envolvidas no metabolismo ósseo.
  • Alterações na microbiota foram relacionadas a mudanças ósseas em modelos experimentais.
  • O eixo intestino-osso é uma área de pesquisa ainda em desenvolvimento.

O que isso significa

Existe uma conexão biológica plausível entre intestino e ossos, mas este artigo não permite atribuir esse efeito ao caldo de ossos.

Importante

O artigo não estudou o caldo de ossos nem um alimento específico.

Por que este artigo me interessou

Esta revisão me ajudou a compreender melhor a conexão entre saúde intestinal e saúde óssea, uma relação que despertou bastante meu interesse durante minha pesquisa.

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06

Mecanismo — microbiota e imunidade

You et al. (2025)

Revisão narrativa/mecanística

Interactions Between the Gut Microbiota and Immune Cell Dynamics: Novel Insights Into the Gut-Bone Axis

O que investigaram

Uma revisão sobre como a microbiota intestinal interage com o sistema imunológico e como essas interações podem influenciar o metabolismo ósseo.

Principais achados

  • A microbiota pode influenciar células do sistema imune.
  • Essas células podem participar da regulação das células responsáveis pela formação e reabsorção óssea.
  • A relação entre microbiota, imunidade e metabolismo ósseo é uma área emergente de pesquisa.

O que isso significa

O trabalho ajuda a compreender mecanismos biológicos que conectam intestino, sistema imune e ossos, mas não permite tirar conclusões sobre o consumo de caldo de ossos.

Importante

Este artigo não estudou dieta ou caldo de ossos.

Por que este artigo me interessou

Este artigo aprofundou meu entendimento sobre como intestino, sistema imune e ossos podem se comunicar biologicamente.

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Bloco 04

Contexto sobre alimentação e saúde

Também encontrei trabalhos que não estudam o caldo de ossos, mas ajudam a colocar a alimentação e a saúde intestinal em um contexto mais amplo.

07

Caldo diretamente — composição

Alcock, Shaw & Burke (2019)

Análise laboratorial de composição

Bone Broth Unlikely to Provide Reliable Concentrations of Collagen Precursors Compared With Supplemental Sources of Collagen Used in Collagen Research

O que investigaram

Pesquisadores analisaram amostras de caldo de ossos para medir a concentração de aminoácidos relacionados ao colágeno e compararam esses valores com as quantidades utilizadas em pesquisas com suplementos de colágeno.

Principais achados

  • A concentração dos precursores de colágeno variou bastante entre as preparações.
  • Em geral, os valores foram menores e menos consistentes do que as doses utilizadas em estudos com suplementos concentrados de colágeno.
  • Os resultados mostram que caldo de ossos e suplemento de colágeno não devem ser tratados como equivalentes.

O que isso significa

Este estudo traz um contraponto importante: o caldo de ossos pode conter precursores de colágeno, mas sua concentração pode variar bastante e não deve ser comparada diretamente a suplementos concentrados.

Importante

O estudo avaliou composição, não efeitos clínicos do consumo do caldo.

Por que este artigo me interessou

Este foi um artigo importante para minha pesquisa justamente por trazer um contraponto. Ele me ajudou a entender que caldo de ossos e suplemento de colágeno são coisas diferentes e que eu não deveria atribuir ao caldo os mesmos resultados encontrados com suplementos concentrados.

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08

Contexto — padrões alimentares

Yannakoulia & Scarmeas (2024)

New England Journal of Medicine

Artigo de revisão

Diets

O que investigaram

Uma revisão sobre diferentes padrões alimentares e as evidências disponíveis sobre sua relação com saúde, peso corporal e doenças crônicas.

Principais achados

  • Diferentes padrões alimentares apresentam diferentes níveis de evidência.
  • A dieta mediterrânea apresenta evidências consistentes em diversos desfechos de saúde.
  • Dietas populares podem apresentar resultados diferentes dependendo de sua composição e do contexto.

O que isso significa

Este artigo ajuda a entender que a qualidade de uma alimentação deve ser avaliada pelo conjunto dos hábitos e alimentos, e não por um alimento isolado.

Importante

O artigo não estudou nem menciona especificamente o caldo de ossos.

Por que este artigo me interessou

Este artigo me ajudou a pensar no caldo dentro de um contexto maior: uma alimentação equilibrada é formada pelo conjunto das escolhas, e não por um único alimento.

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09

Contexto — padrões alimentares

Gardner et al. (2023)

Declaração científica da American Heart Association

Popular Dietary Patterns: Alignment With American Heart Association 2021 Dietary Guidance

O que investigaram

A American Heart Association avaliou diferentes padrões alimentares populares e seu alinhamento com suas recomendações para saúde cardiovascular.

Principais achados

  • Padrões alimentares com maior presença de vegetais e fibras apresentam maior alinhamento às recomendações cardiovasculares.
  • Diferentes dietas apresentam diferentes graus de alinhamento às diretrizes.
  • A análise considera o padrão alimentar completo, e não alimentos isolados.

O que isso significa

O estudo reforça a importância de olhar para a alimentação como um conjunto.

Importante

O documento não avalia o caldo de ossos especificamente.

Por que este artigo me interessou

Este documento me ajudou a entender melhor como diferentes padrões alimentares são avaliados quando olhamos para a alimentação como um todo.

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10

Contexto — intestino e alimentação

Sasson, Ananthakrishnan & Raman (2021)

Revisão narrativa

Diet in Treatment of Inflammatory Bowel Diseases

O que investigaram

Uma revisão sobre o papel da alimentação no tratamento da doença inflamatória intestinal, incluindo doença de Crohn e retocolite ulcerativa.

Principais achados

  • Algumas estratégias dietéticas apresentaram resultados promissores em determinados pacientes.
  • A evidência varia bastante entre as diferentes abordagens.
  • O caldo de ossos não foi avaliado como intervenção específica.

O que isso significa

A alimentação pode ter papel importante no contexto das doenças inflamatórias intestinais, mas este artigo não permite recomendar caldo de ossos para tratamento dessas doenças.

Importante

O caldo de ossos não foi estudado como intervenção.

Por que este artigo me interessou

Este artigo me ajudou a entender melhor como a alimentação pode participar do cuidado com o intestino e como ainda existem muitas perguntas a serem respondidas nessa área.

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11

Contexto — revisão sistemática

Gleave et al. (2025)

Revisão sistemática

Using Diet to Treat Inflammatory Bowel Disease: A Systematic Review

O que investigaram

Uma revisão sistemática reuniu ensaios clínicos que avaliaram diferentes intervenções dietéticas em pessoas com doença inflamatória intestinal.

Principais achados

  • Algumas dietas apresentaram sinais de benefício em determinados desfechos.
  • Os resultados variaram entre os estudos.
  • A qualidade e a heterogeneidade das pesquisas dificultam conclusões definitivas.
  • O caldo de ossos não foi uma das intervenções avaliadas.

O que isso significa

A pesquisa sobre dieta e doença inflamatória intestinal está avançando, mas ainda existem muitas limitações e perguntas em aberto.

Importante

Este estudo não avaliou o caldo de ossos.

Por que este artigo me interessou

Esta revisão me interessou justamente por mostrar, de forma mais rigorosa, o que já foi realmente testado em relação à alimentação e doença inflamatória intestinal — e também o quanto ainda precisamos pesquisar.

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12

Contexto — dieta e microbioma

Ananthakrishnan et al. (2025)

Revisão narrativa

Diet and Microbiome-Directed Therapy 2.0 for IBD

O que investigaram

Uma revisão sobre novas estratégias de tratamento da doença inflamatória intestinal que envolvem alimentação e modulação do microbioma intestinal.

Principais achados

  • A modulação do microbioma pela dieta é uma área emergente de pesquisa.
  • A alimentação pode influenciar o ambiente intestinal e o microbioma.
  • Ainda existem muitas questões sobre quais intervenções funcionam, para quem e em quais condições.
  • O caldo de ossos não é apresentado como intervenção específica.

O que isso significa

A relação entre alimentação, microbioma e saúde intestinal é uma área promissora, mas ainda em desenvolvimento.

Importante

Este artigo não estudou o consumo de caldo de ossos.

Por que este artigo me interessou

Este artigo me interessou por mostrar como a pesquisa sobre alimentação e microbioma está evoluindo e quantas perguntas ainda estão sendo investigadas.

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O que ainda não sabemos

A pesquisa sobre caldo de ossos ainda está começando.

Existem estudos interessantes sobre sua composição e sobre alguns de seus componentes, além de pesquisas experimentais que ajudam a levantar hipóteses.

Mas ainda são poucos os estudos clínicos em humanos avaliando o consumo do caldo de ossos como alimento.

Por isso, no Nobre, preferimos mostrar a evidência como ela é: com seus achados, mas também com seus limites.

De onde vêm essas evidências?

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estudaram o caldo diretamente
3
estudaram nutrientes relacionados ao caldo
2
mecanismos intestino-osso e microbiota
5
contexto sobre alimentação e saúde
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