O que a glicina tem a ver com o colágeno?
A glicina é o aminoácido mais abundante do colágeno — e faz muito mais coisa do que apenas compor tecidos.
A glicina é o menor dos aminoácidos e o mais abundante do colágeno: aproximadamente um a cada três resíduos da cadeia. É essa repetição que permite ao colágeno formar sua estrutura característica em tripla hélice.
Só que reduzir a glicina a “o aminoácido do colágeno” é perder metade da história. Em 2017, Razak e colaboradores publicaram uma revisão em Oxidative Medicine and Cellular Longevity discutindo diversas funções atribuídas à glicina no organismo.
A revisão aborda a participação da glicina na formação de moléculas importantes para o corpo, além de mecanismos relacionados à sinalização celular, metabolismo e resposta inflamatória.
Para mim, essa leitura mudou a forma de olhar para alimentos ricos em tecidos conjuntivos. Não se trata apenas de “tomar colágeno”: trata-se de consumir um conjunto de aminoácidos que participa de vários processos do organismo.
Ao mesmo tempo — e isso é essencial — uma revisão sobre os efeitos da glicina não é o mesmo que um estudo sobre caldo de ossos. Não podemos pegar mecanismos descritos para um aminoácido isolado e transformá-los em benefícios comprovados de um alimento.
O que fica: a composição do caldo é mais interessante do que a palavra “colágeno” sugere, e ao mesmo tempo mais modesta do que muita promessa de internet quer fazer parecer.
Referência: Razak et al., 2017 — Oxidative Medicine and Cellular Longevity.
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